Segundo dia do Festival FUSING – 2 de Agosto

Texto: João Madeira
Fotografia: Afonso Bastos

Às 16h00 deste segundo dia de Festival abriram-se as portas do recinto principal do FUSING Culture Experience. Como cabeças-de-cartaz para este dia a banda Orelha Negra e Xinobi, o dia começou com a actuação de Jibóia no Espaço Pleno; esta zona do recinto dedica a sua atenção a workshops e palestras sobre variados temas e actuações num estilo bastante casual e descontraído.

O dia seguiu-se com A Revolta, Da Chick (um dos nomes que integra a lista da nova vaga da música groovy portuguesa), Juba e HMB (grupo que promove a batida soul e o estilo rnb, onde a maior parte das suas letras são apaixonadas promovidas e entoadas pelo seu vocalista Héber Marques).

No palco da Música Portuguesa a Gostar Dela Própria, no Casino da Figueira, os nomes para este dia eram sonantes. Assim sendo, conseguiram encher o espaço que, neste segundo dia, parecia pequeno para tanta gente que embarcou nesta viagem por diferentes regiões de Portugal Continental. Filho da Mãe apresentou-se em palco com apenas uma cadeira, um microfone, uma guitarra e cinco holofotes a incidir sobre si. Através de músicas mais antigas do seu álbum Palácio, fases de puro improviso e algum novo material, as constantes guitarradas levaram o público a uma experiência sensorial, com um certo toque introspectivo.

filhodamae

Seguiu-se o Rancho dos Cantadores da Aldeia Nova de São Bento com a presença de António Zambujo e Samuel Úria; neste encontro entre o Cante Alentejano e o Fado, todas as vozes perpectuaram um assombroso uníssono. Entre acordes da guitarra campaniça, instrumento musical oriundo do baixo Alentejo, e a conjunção de vozes de um grupo de cerca de trinta homens com dois grandes nomes do panorama musical nacional, o espectáculo teve ainda um toque teatral quando membros do rancho dos cantadores explicaram um pouco da história desta arte que é candidata a Património Imaterial da Humanidade.

rancho1

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À conversa com estes dois grandes músicos portugueses, após o fim deste espectáculo; quanto ao surgimento da ideia deste projecto António Zambujo esclareceu que “já tinha feito uns três ou quatro espectáculos com os cantadores” e que o “Tiago Pereira, que é o mentor da MPAGDP, desde o início tinha como pretensão juntar o rancho e o Úria.”. Samuel Úria também esclareceu o porquê de ter aceite este convite dizendo que é “muito agarrado à portugalidade” mas que a sua “música tende a não reflectir isso de uma maneira muito óbvia; então quando tenho oportunidade de me imiscuir entre malta que está ligada a uma cultura com já alguma ancestralidade e com raízes que elas próprias constituem aquilo que é a noção de Portugal”, é muito positivo. Continuou dizendo que “o Cante Alentejano é, hoje em dia, uma faceta portuguesa da globalização cultural. Quando me posso associar a isto, sendo uma coisa em que acredito mas que não tenho tanta oportunidade de mostrar, nem tenho tanta ligação geográfica para puder associar-me a coisas deste género, então é agarrar a oportunidade e foi um prazer.”.

antoniozambujo

Quanto à superação das expectativas que tinham para este concerto, AZ explicou que nunca cria “grandes expectativas para aquilo que vai ser feito. O mais importante é o que se faz no palco. Aqui devo ser um bocado irresponsável mas não sinto a pressão de fazer bem. O mais importante é desfrutarmos e as pessoas depois acabam por perceber isso e desfrutar connosco, e isso aconteceu.”. Samuel Úria confirmou que as suas expectativas foram amplamente superadas, “não tanto na parte musical e performativa porque já existe uma base de conhecimento do que os cantadores são, do que fazem, mas depois há aquele lado que nós temos a tendência de não prever que é às vezes uma mera questão de trato com estas pessoas porque de repente estás com um grupo de indivíduos que são gente que têm a sua vida e as suas profissões, idades completamente diversas, mas são pessoas que são todas da mesma terra que a vêm trazer para aqui, e aí sim há uma expectativa superada de tu não esperares na Figueira da Foz seres invadido por uma aldeia alentejana e quase que de repente que as paredes se caiaram de branco sem tu estares a contar com isso.”.

samueluria

O dia já ia longo e a música continuava no palco EXPERIENCE, com as actuações de Ivvvo e Mirror People. Às 00h50 todas as atenções se viraram para a actuação de Orelha Negra. Nascidos em 2010, mostram em palco uma panóplia de estilos musicais, como o jazz, o hip hop, o funk e a electrónica, que combinados dão origem a um concerto de qualidade que fazem mexer até o mais tímido ouvinte. Sendo a cabeça por detrás deste projecto Sam the Kid, rapper português, e tendo como elementos membros de algumas bandas bem reconhecidos dos portugueses, Buraka Som Sistema e Cool Hipnoise, conseguiram criar a identidade por que ansiavam, fazendo deste concerto o melhor do segundo dia do Festival FUSING Culture Experience.

A noite seguiu-se com as performances de Moullinex e Xinobi, dando música àqueles que resistiram proporcionando, assim, uma viagem a diversos géneros musicais, tal como disco, house e techno.

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